Não Estamos Sós

Ouvi essa provocação de um professor, e na réplica mais direta a essa afirmação, alguns ouvintes tentaram argumentar que gostavam do momento a sós. “Mas que momento é esse? Vendo Netflix em casa? Saindo para um cinema? Vendo reels deitado na cama? O que seria isso senão o “bicho humano” evitando estar sozinho? Você está ouvindo pessoas, curtindo fotos de pessoas, seguindo essas pessoas, dialogando com elas. A internet é uma interface entre várias pessoas”.  

Uma vez pensei sobre isso ao ler a introdução de um livro. O autor explicava e criticava a própria obra que eu leria em seguida. Interessante, eu estava “ouvindo-o” falar comigo dentro de minha casa. Nesse exato momento a mensagem que você lê aqui é minha e você, de alguma maneira, está dialogando comigo.  

Vivemos dessa interação, direta ou indireta, com o outro. Somos quem somos frente ao outro. O dilema do Senhor e do Escravo, o dilema da Alteridade? Tantos dilemas e a conclusão inevitável de que estar sozinho é praticamente impossível. Talvez uma meditação? Mesmo assim, monges meditam juntos. Uma caminhada? Passeamos em praças lotadas. Não há resposta certa, mas penso que há beleza em chegar à conclusão de que somos irremediavelmente sociais e contraditoriamente dependentes. Nos lembra que não estamos sozinhos. Que o outro também sou eu, também é você. Não havendo nada para além de nós mesmos, ainda temos uns aos outros.          

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